"Ao cair da tarde penso sempre mais, é a luz que me invade; são as cores naturais.

Cada figura que passa por mim nem me perturba e eu fico assim.

Longe me leva este silêncio, é o sentir que se altera: são as cores do Sol.

E eu fico Encantado(a) e eu sinto-me arder, quando o dia se apaga fica tanto por ver..."

Pedro Ayres Magalhães e Gabriel Gomes in "As Cores do Sol"



Mata Nacional Dunas de Vagos; Um Mar de Pinho!

Integrada na Rede Natura 2000 com a designação “Dunas de Mira, Gandara e Gafanha”, a Mata Nacional das Dunas de Vagos é, juntamente com os dois braços da Ria de Aveiro que atravessam o concelho, um dos ex-líbris da biodiversidade e conservação ambiental.


Este mar de pinho encontra-se em plena duna florestal, sendo este o último estágio evolutivo de um sistema dunar. As dunas, além de poderem ter géneses diferentes e serem estruturas geomorfológicas que variam entre si, possuem estágios evolutivos diferentes definidos pela proximidade do mar e vegetação que a coloniza. Isto acontece devido á frágil relação existente entre a formação da duna e a vegetação que a cobre, á medida que a duna progride ou regride. Desta forma podemos dividir estes estágios em cinco, sendo estes agrupados em duas divisões principais; o cordão dunar de duna móvel (instável e activa) e a duna fixa ( esta mais antiga e bem consolidada).

Luz e cor são declaradas pelas folhas geadas de um Salgueiro-anão Salix repens que cresce na Mata Nacional das Dunas de Vagos. Esta mata estende-se atéa Figueira da Foz, assumindo outras designações á medida que atravessa outros concelhos, é parte integrante da Rede de Sítios Natura 2000 debaixo da directiva Habitats.

No limite superior da praia (zona que se encontra acima do nível de maré alta de águas vivas) encontramos o 1º estágio evolutivo; a duna embrionária. De seguida surge a duna primária ou duna branca que, á medida que se consolida através da deposição de mais areia eólica e da colonização de espécies vegetais de maior porte, converte-se em duna semi-fixa, o estágio que precede a verdadeira duna fixa.

A duna fixa é constituída por dois estágios evolutivos; a duna cinzenta e a duna florestal. A primeira é uma formação já consolidada e povoada por um coberto vegetal de maiores dimensões, constituído na sua maioria por pequenos arbustos e que precede a duna florestal que apresenta uma verdadeira floresta ocupada pelas mais diversas espécies de árvores e sem apresentar os sinais de atrofiamento característicos das “matas” que se formam nas dunas móveis ou nas áreas inter-dunares. De maneira geral e resumida esta é a estrutura base do sistema dunar que inicialmente encontrávamos em Vagos. Obviamente devido a toda uma variedade de factores (entre eles a acção humana) poderemos não encontrar estes sistemas tão bem definidos e delineados. Em relação ao concelho de Vagos notamos que não existe esta sucessão harmoniosa. Este facto prende-se acima de tudo com a fixação de populações humanas de considerável dimensão sobre vários estágios de duna móvel e fixa.

Não obstante, a Mata Nacional é de importância vital para uma variedade de espécies animais e vegetais. Foi por essa mesma importância que esta mata, que se estende de maneira quase ininterrupta de Vagos a Quiaios, foi incluída na Rede Natura 2000 sob a directiva “Habitats”. Esta directiva tem como principal objectivo contribuir para assegurar a Biodiversidade através da conservação dos habitats naturais e de espécies da flora e da fauna selvagens, considerados ameaçados no território da União Europeia.



Um varrimento fotográfico transporta-nos para uma Mata Nacional mágica, que alberga em si maravilhosos tesouros bem como criaturas estranhas que nos ajudarão durante o nosso percurso, a descobrir a beleza que tantas vezes esquecemos!
 Esta floresta dunar apresenta a particularidade de não ser o coberto arbóreo original da área. Inicialmente esta duna florestal teria sido constituída por Carvalho Quercus sp., Pinheiro-bravo Pinus pinaster), Pinheiro-manso Pinus pinea e até possivelmente Pinheiro-silvestre Pinus sylvestris. Este coberto vegetal terá sido delapidado pelas populações humanas limítrofes a esta área. Isto teve sérias consequências, uma vez que sem a protecção do coberto vegetal original, que seria um obstáculo firme aos violentos ventos marítimos, permitiu-se o avanço de areias eólicas contribuindo naturalmente para a desertificação da área e depauperização dos terrenos agrícolas adjacentes. No entanto, só sec. XX na década de 30, no esforço de recuperar os terrenos ocupados por estas mesmas areias eólicas, a antiga Direcção-Geral de Florestas (actual Instituto Florestal) efectuou extensas plantações de Pinheiro-bravo. De acordo com as práticas agro-florestais, em voga na altura da sua criação, o pinhal é atravessado longitudinalmente e transversalmente por aceiros, (corte feito na floresta para evitar incêndios) em linha recta, estando muitos deles em mau estado devido á invasão de matos rasteiros.

Desta maneira o Pinheiro-bravo tornou-se a espécie arbórea dominante, no entanto, é possível encontrar Samouco Myrica faya e em algumas áreas um outro Choupo-branco Populus alba. O estrato arbustivo e sub-arbustivo é constituído por Tojo Ulex europaeus, Giesta-das-vassouras Cytisus grandiflorus e pelas infestantes Acácias Acacia melanoxylon, Acacia dealbata e Acacia longifolia. A Acácia da espécie Acacia longifolia tornou-se a mais problemática das infestantes, cujo avanço e domínio se afigura difícil de combater. Esta espécie ocupa de maneira monopolizadora um estrato florestal que revela ser importantíssimo para uma grande quantidade de espécies vegetais que fornecem recursos alimentares a toda uma variedade de invertebrados, aves e mamíferos. Visto que possuem uma estrutura complexa nos seus estágios arbustivos dificultam o acesso ao solo por parte de espécies que utilizam o estrato superior da floresta, mas que recorrem a este em busca de alimento.

E o acesso ao solo é de importância vital para muitas espécies animais. O solo apresenta uma riqueza substancial, em parte, devido á decomposição da manta morta. Encontramos aí uma profusão de espécies de fungos, líquenes e musgos, e por sua vez dos invertebrados que deles dependem.


Estes pequenos Amanita-mata-moscas Amanita muscaria acabaram de romper o solo arenoso da Mata Nacional. Dentro de dias atingirão o seu tamanho máximo e levarão a cabo a tarefa de libertar os esporos que irão dar origem á próxima geração…
Os fungos representam sem dúvida um dos exemplos da fragilidade deste ecossistema. Os fungos não são plantas e por isso não pertencem ao Reino Plantae, isto porque não possuem clorofila e por isso são incapazes de produzir açúcares a partir da energia solar. Os fungos pertencem a um Reino (divisão principal da Taxionomia) próprio: o Reino Fungi. Este inclui bolores, leveduras, cogumelos e outros.

Os grandes recicladores da natureza, os Fungos, têm também necessidade de se reproduzir e por isso um tipo específico de fungos desenvolveu órgãos especiais com essa função; os Cogumelos. Estes não passam dos corpos de frutificação do fungo e que variam de acordo com a espécie. Gimenópilo Phaeolepiota aurea.
O facto de não serem dependentes da luz solar permitiu-lhes ocupar nichos ecológicos não ocupados pelas plantas. Os fungos obtêm o alimento a partir do solo, madeira e restos vegetais ou animais sobre os quais crescem, contribuindo e provocando o apodrecimento desta matéria orgânica e sua decomposição em nutrientes minerais que depois serão utilizados por plantas. Contribuem assim, largamente, para o grande ciclo vital por libertarem os elementos contidos nos corpos de animais e estruturas vegetais, restituindo-os de novo ao solo. Os fungos mais conhecidos são aqueles que produzem como corpo de frutificação aquilo que conhecemos por cogumelo. Aquilo a que chamamos vulgarmente cogumelo, refere-se a um órgão “reprodutor”, do fungo que é o micélio, este uma rede de filamentos brancos (as hifas) constituídos principalmente por queratina, a mesma proteína que constitui o nosso cabelo e unhas. É este micélio que realiza o imprescindível trabalho de decomposição já referido e que por vezes é inadvertidamente destruído por aqueles que colhem os “míscaros”. Esta actividade humana, apesar de aparentemente inofensiva para a duna florestal, têm-se revelado extremamente nefasta para o ecossistema pois a destruição do micélio aquando da colheita do cogumelo, assim como o revirar da manta morta, musgos e líquenes, impede a reposição de nutrientes num solo relativamente pobre, como é a areia. Algumas das espécies de cogumelos que encontramos na Mata Nacional são tóxicas, o Amanita-mata-moscas Amanita muscaria que com o seu chapéu vermelho vivo e verrugas brancas e talo relativamente comprido é provavelmente entre estes, a espécie mais conhecida. Esta espécie encontra exactamente na Mata Nacional um dos seus principais redutos em território nacional. No entanto, os cogumelos comestíveis, além de fazerem as delícias dos apreciadores humanos, são também importantes para a fauna local. Aves, mamíferos e insectos dependem desta fonte de alimento sazonal, sendo que após poucos dias um cogumelo já terá sido completamente devorado, ao contrário do micélio que lhe deu origem, que continuará a desempenhar a sua função no solo. Os cogumelos, alimentados pelos micélios, desenvolvem-se muito depressa, necessitam para isso apenas de calor e humidade. A partir das primeiras chuvas de Outubro estes órgãos surgem de forma aparentemente repentina na Mata Nacional. Se as condições forem as adequadas em apenas alguns dias atingirá o seu tamanho máximo e realizará a sua função como libertador e dispersor de esporos. Estes esporos, são comparáveis a sementes apesar de não serem como estas o resultado de reprodução sexuada. Ao serem libertados irão dar origem a uma nova geração de micélios que efectuará o seu precioso trabalho como conversor de matéria.

Os Texugos Meles meles, que habitam a Mata Nacional, dependem desta fonte sazonal de alimento. Omnívoros, aproveitam qualquer oportunidade apresentada e revelando uma versatilidade admirável, alimentam-se de besouros, aves, ratos, minhocas e cogumelos. Apesar de serem de difícil observação depararemos facilmente com vestígios da sua presença, durante um passeio na Mata. Vestígios estes que poderão incluir pegadas, excrementos ou até caminhos bem como tocas.

Muitas espécies animais dependem, assim como o Texugo, da sazonalidade de algumas fontes de alimento. As plantas como base da cadeia alimentar têm manifestamente um papel importantíssimo na conservação da biodiversidade nesta floresta. As plantas em todas as suas formas (árvores, arbustos, musgos e gramíneas) constituirão 95% da biomassa desta região florestal. Assim, a preservação deste mesmo coberto vegetal é essencial para a manutenção das espécies animais que dele dependem, bem como das espécies que predam aqueles que usam os recursos vegetais deste ecossistema florestal. O Açor Accipiter gentilis é um desses predadores. É provavelmente a espécie mais emblemática desta zona florestal. Encontra nesta grande mancha florestal constituida por Pinheiro-bravo o seu habitat preferencial em Portugal. Uma estimativa da população nacional indica um valor de 200-300 casais, para uma espécie que aparenta um possível declínio, isto devido á perda do seu habitat- os pinhais bravos de alto fuste circundados por mosaicos agrícolas. Por se tratar de uma espécie quase inteiramente ornitófago ( que se alimenta de aves) é potencialmente sensível aos efeitos de pesticidas e metais pesados, sendo que poderá afectar o seu sucesso reprodutivo. O Açor ataca de emboscada. Empoleirado num ramo mais escondido espera que uma presa esteja ao seu alcance e na altura certa lança-se sobre ela num voo absolutamente delirante entre os troncos e ramos dos pinheiros. Esta enorme capacidade de manobra é conferida pelo facto de possuir asas relativamente curtas em proporção com o seu tamanho e uma cauda relativamente comprida que lhe confere uma enorme capacidade de manobra. Observar uma destas caçadas de Açor é algo de cortar a respiração! No entanto esta espécie é de uma versatilidade tremenda, podendo caçar em clareiras e terrenos agrícolas de maneira similar á dos falcões, elevando-se numa corrente ascendente térmica, caindo depois sobre a presa em voo picado a uma enorme velocidade, técnica que lhe permite caçar a sua principal presa: o Pombo Columba sp.. Apesar de todas estas características, não revela ser um predador insistente, ao falhar uma tentativa com uma presa específica, desiste para poder descansar, para pouco depois se lançar sobre outra.

O Tentillhão-comum Fringilla coelebs é o mais abundante dos fringilídeos florestais do concelho, nidificando com alguma abundância na Mata Nacional.
Um recém chegado á Mata Nacional é o Javalí Sus scrofa, que depois de anos de afastamento e de regressão parece determinado a acupar a Mata e outros espaços naturais no concelho. Este Suídeo têm vindo gradualmente a ocupar a mata possuindo agora uma população reprodutora estável. Aliás esta espécie conseguiu recuperar incrivelmente por todo o território nacional isto talvez devido ao abandono de certas actividades agrícolas bem como o incremento das manchas florestais e dos matagais, provocados pelo elevado número de incêndios registados nos últimos anos. Todas estas condições proporcionaram um aumento exponencial dos habitats favoráveis á espécie em todo o país, traduzindo-se no concelho de Vagos pela a aparição do mesmo e expansão subsequente da espécie potenciada pela ausência dos seus predadores naturais (Lobo-ibérico, Linçe-ibérico e Águia-real). Ademais a população tende aumentar beneficiando ainda do clima moderado que se faz sentir todo o ano. Em alguns dos aceiros que atravessam a Mata encontramos por vezes as suas “charcas” depressões no solo onde se espojam para libertarem de parasitas como pulgas ou carraças.


Um Ouriço-cacheiro Erinaceus europaeus passa apressadamente em busca de refúgio.
Um outro recém chegado, é talvez mais bem vindo pelo facto de não ser tão perigoso como o Javali e não entrar em choque directo com a actividade humana. Este recém chegado é uma outra espécie, que como o Javali ainda á meia dúzia de anos encontrava-se reduzido a populações marginais em Portugal. Falamos do Esquilo-vermelho Sciurus vulgaris. Uma das características que salta á vista a quem observa esta espécie é a sua extrema agilidade. Saltos de ramo em ramo, rápidas corridas ao longo de troncos (para cima ou para baixo) acompanhadas de fulgurantes mudanças de direcção. Na Mata Nacional, encontra assim como o Açor, o seu habitat preferencial e esta não é a única afinidade que possui com esta ave, já que este predador parece abrir uma excepção á sua ornitofagia e incluir o Esquilo-vermelho na sua dieta. Este roedor prefere grandes manchas de coníferas onde encontra a base da sua dieta, sementes de coníferas, das quais como vestígio da sua presença deixa a pinha completamente roída. Completa a sua dieta ocasionalmente porém com vertebrados (principalmente aves), fungos, bolotas e bagas. Esta espécie encontra-se também em expansão por todo o território nacional talvez em parte devido ao incremento das populações nacionais com indivíduos provenientes de Espanha e também á diminuição da perturbação humana nas matas de resinosas em território nacional devido ao decréscimo da recolha de resina. Outro factor que terá contribuído para a fixação de populações no concelho terá sido o acréscimo de área ardida no interior Norte forçando os indivíduos aí residentes a procurarem habitat adequado. É ainda, no entanto, muito cedo para avaliar a fixação desta simpática espécie no concelho.

Em 1987 um enorme incêndio lavrou na parte sul do concelho, afectado uma área relativamente grande da Mata Nacional. Aí desenvolveu-se uma vegetação arbustiva que permitiu a fixação de várias espécies que aproveitaram um novo habitat criado pelo fogo. Primeiro espécies vegetais como o Tojo, a Giesta, Urze Erica sp. a Lavandula Lavandula sampaiana fixaram-se onde outrora existiu floresta. Este matagal quando em floração atrai inúmeras espécies de invertebrados que por sua vez atraem os seu predadores ( aves, répteis, anfíbios e pequenos mamíferos).


A luz como que fossiliza na imagem estas gramíneas Lagurus ovatus que crescem abundantemente nas estradas e caminhos florestais na Mata Nacional.
 Estas áreas contribuíram para a fixação da Águia-cobreira Circaetus gallicus, espécie, que como o nome vernáculo indica, captura na sua maioria cobras e outros répteis. Não sendo uma espécie exclusivamente florestal, “lucrou” com os incêndios que se registaram na parte central da mata que limparam uma vasta área do seu coberto de Pinheiro-bravo. Esta espécie apesar de depender de zonas florestadas ou arborizadas para nidificar, como a Mata Nacional, necessita também de áreas abertas para poder capturar as suas presas preferidas e quase exclusivas, as serpentes, áreas estas que podem distar vários quilómetros do local do ninho. É uma espécie apenas observável durante o período estival devido á sua natureza migratória.

Outra espécie de ave que beneficiou com o matagal criado pelos fogos florestais foi o Noitibó-cinzento Caprimulgus europaeus. O genitivo cientifico desta espécie revela uma crença que os antigos romanos possuíam em relação a esta ave; acreditavam que com a sua enorme “boca” mungia cabras, daí o Capri (de cabra) mulgus (aquele que munge). Esta “boca” enorme serve para capturar traças e outros invertebrados nocturnos que a ave captura em voo. A ave possui ainda barbas nas partes laterais das mandíbulas que orientam estes invertebrados para o interior do seu bico. È uma espécie nocturna de dimensões e aspecto similares a um pequeno falcão, sendo possível a confusão com um destes quando em voo. Já no solo a confusão é possível mas desta feita com a manta morta ou até mesmo com um ramo de uma árvore, é uma espécie altamente mimética (que se assemelha ao meio circundante) e que apenas levanta voo quando corre o risco de ser pisado. Como espécie migradora que é, apenas nos visita durante um período limitado, ocorrendo durante a época de nidificação, período que se estende de Maio a Setembro. Nesta altura os machos entretém-se com exibições elaboradas que apenas podem ser observadas ao ocaso. Durante a parada nupcial o macho bate as asas de maneira frenética produzindo um som similar a um matraquear. A fêmea deposita os ovos numa depressão do solo onde depois de chocados por ambos os progenitores nascem em média 2 a 3 crias activas e penugentas e bem capazes de se protegerem através de uma atitude de mimetismo característico da espécie. Ao encontrar um ninho desta ave deve-se evitar perturbar os progenitores e as crias. Lembramos que são animais selvagens e que pertencem a um ecossistema desempenhado nele uma função. Além de que esta espécie encontra-se em declínio em Portugal. Este declínio é provocado por factores como a destruição de habitat, morte e insucesso reprodutor por envenenamento e por elevada taxa de mortalidade por atropelamento automóvel.

A Mata Nacional é deveras o refúgio de um sem número de espécies! Cabe a cada um de nós a proteger este mesmo recurso natural que nos permite ser vizinho de criaturas extremamente belas e complexas. Por isso no Verão ao utilizarmos a Mata como espaço recreativo devemos lembrar-nos dos habitantes desta mesma área e por isso não usar ou então ter a máxima precaução ao utilizar o fogo. Não façamos desta Mata, que é de todos nós, um depósito de lixos. A Mata Nacional já enfrenta sérias ameaças que poderão pôr em causa a sustentabilidade dos ecossistemas que nela se integram sendo estes a invasão das Acácias Acacia longifolia, extracção ilegal de areias, a colheita desregrada de cogumelos comestíveis e o perigo de incêndio além de outros.
Não contribuamos também cada um de nós para a depauperização deste património que é de todos nós!

Por David Guimarães

Uma Salamandra-de-costas-salientes Pleurodeles waltl voga lentamente por um charco sazonal num final de tarde chuvoso. Espécie que ocorre em habitats de água parada, não se encontra referenciada em obras da especialidade como existente no concelho de Vagos, sendo que a sua ocorrência e reprodução frisam a enorme biodiversidade que este concelho alberga.